sábado, 4 de setembro de 2010

Memories

                 
                                            Não sei se sabes de mim tudo o que eu te sei. Não sei se no meio da leveza do teu ser há uma pureza facilmente combinável com fúria e paixão irrefreável. Sei que aprendeste a aprender-me as manias, e aprendeste-as bem. Sei que sabes com certeza decifrar a curvatura dum corpo que outrora percorreste habilmente. Movimentas-te no silêncio, com a indiscrição máxima de quem não tem nada a perder, pois comanda a vida pelos fios todos que ela possui. Manipulas o ar à tua volta, e torna-lo leve, volátil mas sereno, apaziguador para todos os meus sentidos. De nada vale tencionar apagar as memórias, desligar o coração da lembrança, é impossível; basta um olhar e a corrente de pensamentos abre, começa a fluir a passo descontrolado, sem direcção definida nem objectivo estabelecido, apenas desejosa de ar, de se esticar e controlar cada movimento involuntário do meu corpo. 
                          Não resistes o latejar violento, não controlas o olhar submisso, perdido e fixo, que quer, apenas, encontrar a sua origem. Não dominas o tremer descontrolado, nem o sorriso espontâneo e envergonhado. Não podes, simplesmente não controlas. Sem importar que tenham passado vinte anos ou dois meses. «A memória do coração é a mais forte e incontrolável» 
           Não se luta contra ela, pelo menos eu ainda não descobri como. E ela esmaga-te, bate-te a cabeça nas paredes com a força de duzentos tornados, destrói-te e dá-te o mínimo de tempo para recuperar, mata-te e revive-te com a mesma facilidade. Enterra-te no mais profundo da solidão mas dá-te a sensação mais doce e deliciosa do mundo inteiro. 

3 comentários:

  1. Oye Violet...¿La fot es tuya? (me ha gustado mucho)
    Qué bien suenan tus palabras! Eres toda una poetisa! (Y qué madurez representan!)
    Un abrazote.

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  2. Por cierto, me gusta mucho ese aire otoñal del blog. ¡Feliz estación!

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  3. Apesar de muitas das memórias que nos formam não serem as melhores é através delas que decidimos aquilo que qeremos ou não fazer de nós ( :

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