terça-feira, 24 de agosto de 2010

Want some?

         
               Somos sempre vítimas do nosso próprio espaço mental. Vítimas assassinadas por uma vida distante, que outrora foi presente, cinzelada pela imaginação abusiva e fértil que tanto nos tortura. 
Desencantamentos momentâneos, estratégias duradouras, mecanismos simples e funcionais, como alho para vampiros, para que te mantenhas sempre afastado de mim. Não consigo lidar com a tua proximidade. 
Quero de mim o que chegou a ser teu. Quero as gargalhadas sentidas e as dores fortes nas bochechas, o sorriso mantido, mas nunca forçado; as piadas secas e uma estranha espécie de afecto nem sempre dito espontâneo. Quero o pranto forte e agudo, a desilusão constante, o orgulho e a teimosia. Quero as lágrimas e o sentimentalismo do romantismo que outrora dominou a minha alma. Quero as palavras já gastas. Quero tudo. 
Quero tudo o que me pertence! Mas não te quero. 

Somos sempre vítimas do nosso próprio espaço mental, porque, para além dele, mais ninguém consegue derrubar-nos tão cruelmente.

4 comentários:

  1. 'a mente domina a matéria'
    há-des ter de volta tudo o que te pertence, sem que fiques agarrada ao que já foi.
    não deixes de acreditar, e luta por aquilo que é teu. (L'

    ResponderEliminar
  2. woow, eu acho que não diria melhor!

    ResponderEliminar
  3. gostei imenso. quero ler o teu blog todo, mas a minha mae tem de vir para o pc. eu volto e se nao te importares invado-te durante um bocadinho. comento se quiseres.
    beijinho*

    ResponderEliminar