sábado, 20 de agosto de 2011

22

Fizeste aquilo que me prometeste nunca fazer, por mais vezes que to pedisse. Deixaste-me, esqueceste-me, partiste. Roubaram-te a vida, esse bem que era mais teu do que de ninguém. Esse que te fazia ser quem és. Hoje dói-me a alma por não te poder dar um estalo, dizer-te que deixasses de ser estúpido. Quero ligar-te e ouvir a tua voz na caixa de correio. Gostava de ter deixado a teimosia, o orgulho e a superioridade a um lado e a abraçar-te por última vez. Gostava que tivesses dito 'Miúda, não chores, sabes como isso me custa' quando vi a tu mãe no hospital, quando entrei na capela, quando te vi deitado, imóvel, frio. Espero que te estivesses a rir quando aconteceu, pelo menos. Eu sei que sabes o quanto eu te amei, sei que isso te vai acompanhar por sempre, e quero que saibas que sempre te perdoei. Hoje falo com ela como se falasse comigo, porque sei que ela sente a minha dor. Não olhes para mim enquanto queimo esta dor de te perder. Sei que discutimos da última vez, mas disseste-me 'porra miúda, eu gosto de ti'. Eu sei que gostavas, sempre soube. E nada ficou por dizer, disse-te obrigada milhões de vezes, disse-te que te amava, disse-te que te odiava por me teres magoado. Acima de tudo, nunca penses que fui falsa, o meu amor por ti foi o sentimento mais natural, puro e intenso que senti até agora. E eu tinha razão: foi em Janeiro, não em  Novembro. Não quero que descanses em paz, quero que faças porcaria onde estiveres como fazias aqui, e que depois todos se comecem a rir, porque afinal 'baby, tu és o engraçadinho'. A tua partida quebrou a ligação entre todas as células do meu corpo, custa-me respirar, custa-me sorrir, custa-me estar sozinha porque te penso, porque me arrependo de pensar que tinha todo o tempo do mundo para reencontrar-me contigo. Estejas onde estiveres, o meu coração deixou de ser inteiro porque uma parte sempre te pertencerá.

1 comentário: