sábado, 17 de outubro de 2009

acordar; viver; continuar.


Nesta altura, quando vejo o que sou no espelho, o meu reflexo ali, fixo, que se mexe quando eu. Que ri quando eu, quando chora ao mesmo tempo.
Vejo que não sou nada que me imaginasse.
Vejo que já não sou uma criança, e portanto, já não posso viver daqueles sonhos infantis, daqueles palácios que me imaginava, e já não sou a princesa dos meus sonhos, já não sou a inocência que corria livre, sorridente.
Sou uma pessoa que começa a viver a vida, percebendo-a como ela realmente é.
Desilusões muitas já tive, amores alguns também, mas o mais importante, entre tudo, é a amizade que a vida me tem vindo a dar. Amizade de pessoas importantes, que marcam, cujo olhar não se esquece.
E quando tudo me parece cinzento tenho alguém ao meu lado, que me ajuda a levantar, a olhar para o sol novamente e conseguir vê-lo brilhar.
E agora o meu caminho, resta-me a mim fazê-lo, porque já não são os outros os que decidem por mim, já não dependo dos outros para ser feliz, cabe-me a mim continuar a sorrir.
Custa, muitíssimas das vezes em que ponho os pés no chão não sou capaz de andar, não sou capaz de me manter em pé, e acabo no chão, vejo-me ali deitada, numa experiência extra-corpórea.
E sei que é preciso encontrar força para me levantar, e procuro-a até encontrá-la. Hei-de fazê-lo ao longo da vida.

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