Eu queria o nada, queria-me apenas a mim. Queria re-aprender a amar-me, saber fazê-lo sozinha, para não precisar mais de ti. Queria olhar-me ao espelho e sorrir, ser feliz por ser quem sou e orgulhar-me do que quero ser. Contar as estrelas sem ti, e desapegar-me desse teu jeito, esquecê-lo, não recordar como soa a tua voz, quantas letras tem o teu nome, quantas vezes entrelaçámos os dedos. Queria e quero ser sozinha, ser egoísta e colar novamente os pedaços estilhaçados que outrora tiveram espaços definidos no meu peito. Queria que já me não soubesses, que eu tivesse deixado de ser 'aquela', por comodismo talvez, por saber que assim a luta já não era minha, para não me sacrificar com a dor dos 'se'. Como evitar pensar que o nosso amor, que já não o é bem, estava destinado.
Eu queria que já não soubesses tocar com os teus dedos as feridas que me provocaste, queria que já não te lembrasses do contorno do meu corpo. Porém, lembras-te, com pormenores e uma clareza que desconhecia.
Mas o meu coração e a minha cabeça desistiram de ti. Convenci-os durante muitas horas, e foi árduo o trabalho, para que acreditassem que o meu lugar já não era ao teu lado e que os teus olhos tinham já apagado a linguagem que nos pertencia. Eu não queria desistir, mas forçaste-me a isso, quando tu desististe de nós.
Hoje, digam o que disserem, sinta o que sentir, sei que te amei muito e que nada poderá mudar isso, mas sei, também, que me amo muito e que a minha vida tem um sentido que se afasta progressivamente de ti.
Minha avó costumava dizer: "Sofra o quanto quiser, por quinze minutos. Mas depois, siga em frente com a vida." A gente fica querendo se livrar desses detalhes que parecem ser tão grandes e que na verdade nem nos pertencem. Um dia eles somem, sem deixar rastro e sem aviso prévio. Só somem, e dão lugar a uma nova oportunidade ali, na próxima esquina, talvez. Enquanto isso, a gente se sentir bem na nossa própria companhia já é um grande começo.
ResponderEliminarbeijos, coração.