domingo, 12 de dezembro de 2010

Balança


Se no meio está a virtude eu prefiro não a ter. Quero sempre a virtude, mas sei que ele não me é intrínseca, não sei viver com meios porque são tão escassos, tão falsos, eles não gostam de mim, nem eu de eles, ponto. 
No meio de nada. Nada te faz feliz, mas nada te faz miserável. 
E no meio de nada, os dias são alheios olhos sorridentes, desejosos de aparência e de quietude. Os dias são bocados esquecidos do guião de uma história péssima, mas magnificamente representada. 
E no meio de nada, as noites são monstros salgados e gigantes, sem piedade, sem motivos, mas famintos, famintos de sofrimento, de agonia, de desespero. Culpáveis e vítimas do desassossego da alma. 
E no meio de nada, a alma não é mais do que redefinições de armadura contextualizada e personalizada, que se esforçar por proteger o coração. 
E no meio de nada, o coração é um gelo cinzelado, quebrado em mil pedaços, um paciente em estado deplorável, uma vida que não se sabe encontrar. 

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