Queria que fosses uma estrada com um pavimento colorido.
Queria que fosses uma estrada com sinais, avisos, advertências.
Queria que fosses uma estrada com linhas.
Queria que fosses uma estrada com velocidades, mínimas e máximas.
Eu queria que fosses uma tela.
Queria que fosses uma tela branca e vazia.
Queria que fosses uma tela, e que eu pudesse pintar-te.
Queria que fosses uma tela, e que, contigo, me tornasse uma obra-prima.
Eu queria que fosses um peluche.
Queria que fosses um peluche imóvil, sujeito aos meus desejos.
Queria que fosses um peluche, para eu abraçar e chorar sobre ti.
Queria que fosses um peluche, para dar-te nomes e levar-te a todo o lado.
Mas não és. Não és nada disso. És tu e nunca poderei pedir-te que sejas outra coisa. És tu, cheio duma ousadia que me enche as medidas. Cheio duma liberdade que te domina. Coberto por uma camada tão extremamente dura, mas com um recheio tão suave, líquido e doce.
Eu identifiquei-me nessa tua ousadia, e quis que ela fosse, para sempre, minha.
Eu identifiquei-me nessa tua liberdade, e quis que ela me levasse.
Eu identifiquei-me nesse recheio, e quis saboreá-lo.
Eu identifiquei-me nesse teu encanto, e tatuei-o na alma.

Adoro, esta perfeito *-*
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