Bom dia ecrã do computador. Como estás? Eu estou sentada, obrigada. Como vai a tua vida? Tudo operacional lá dentro? Ainda bem, fico contente por ti.
Eu? Como vai a minha vida? Hm, o que queres que te diga?
Que cada dia que passa parece mais difícil confrontar o sol que me aquece a face de manhã, sem conseguir nada pois a minha pele está fria como o mármore, rija como o ferro e pálida qual folha de papel?
Que os dias parecem monótonos porque nada me consegue surpreender?
Que a minha ilusão e a esperança de ver o mundo crescer vão pelo cano abaixo cada dia?
Que sinto como os pilares que construí para me apoiar vão roendo, um a um, até me deixar sem bases?
Que destruí a minha muralha por causa dele, e agora tenho que construí-la outra vez, com reforços, paredes duplas e à prova de som?
Sim, mas vá, não tenhas pena que eu não gosto.
Vou só ali chorar um bocadinho, não demoro, até já.

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